A CONSTRUÇÃO DO CORPO NA MODERNIDADE NO CONTEXTO DAS ARTES VISUAIS

Introdução


No Ensino das Artes Plásticas, falar do corpo não se remite nem se esgota em falarda sua representação ou apresentação plástica. Devem ser levantadas as conotações políticas da sua construção tanto no espaço público como no espaço privado. A continuação pontuo alguns aspectos relevantes dentro da História da Arte no contexto da Modernidade a partir de uma perspectiva feminista e queer. A construção do corpo na arte, a idéia do corpo e sua visualidade, tem sido concebida em um contexto afirmativo de identidade individualista e humanista dentro de uma cultura logocêntrica ocidental. A auto-referencialidade da Arte Moderna, e, em momentos, da Arte Contemporânea, não é mais que uma conclusão lógica do sistema patriarcal cristão. A ruptura acadêmica com a mímese como preâmbulo para o nascimento da Arte Moderna, tem criado o falso mito de que a arte começou a ser livre logo após de sua obrigação com a imitação.


Em realidade, a construção de uma linguagem formal, como campo de pesquisa própria da arte para poder se emancipar de outra áreas do conhecimento como a sociologia, a política e a religião, em detrimento do contexto sociale cultural, acabam por objetivizar-em qualidade de objeto- o corpo. Não podemos esquecer que a Arte Moderna se gesta a partir do Renascimento com as teorias formalistas de Heinrich Wölfflin (Suiza 1864 - 1945) que antepõem uma estrutura interna como dinâmica dos estilos nos objetos artísticos -antes denominadas obras de arte desligados de qualquer problematização externa (Sullivan 1995: 261).


O espaço estruturante


A emancipação da arte ao respeito dos valores estéticos coincidem com aconstrução de uma imagem universal na busca do valor absoluto no Quadrado Preto sobre Fundo Branco (1913), ou Branco sobre Branco (1918), de Malevitch (Russia 1878 –1935). A arte abstrata também cumpre o objetivo de um total distanciamento do terreno apartir das conceições abstratas de Paul Klee (Suiza 1879 – 1940) e suas pinturas inspiradas a partir de fotografias aéreas, por exemplo. Os elementos internos na estruturados objetos devem ser lidos como signos, acreditando em uma idéia de totalidade, deespacialidade branca desqualificando aspectos fisiológicos ou orgânicos, isto é, anulando a possibilidade do corpo. A espaço de Descartes corresponde ao estudo da interioridade, de uma mente desencorpada; mediante o método da dúvida, sua filosofia dispõe elementos para se constituírem em uma tábula rasa: o grande cubo branco das galerias de Arte Moderna(Miles 1999: 45) iniciada com a tela branca a partir e durante a Renascença.


Essa visão distante de um corpus ou de uma materialidade específica também desembocaria no relativismo do olhar de todos e de ninguém na nossa atual arte produzida a través de técnicas de simulação, onde não existem posicionamentos e muito menos responsabilidades, apenas um relativismo legitimado pela objetividade dentro da lógica da retórica da Ciência, ignorando qualquer tipo de “avaliação crítica” no marco de um trabalho que constitua “saberes localizados” (Haraway 1995: 24), criando essa tão comemorada e ilusória liberdade artística. Clement Greenberg legitimará uma vez mais a inserção de uma estrutura na bidimensionalidade física do quadro a través do expressionismo abstrato e do conceito de planaridade, anulando qualquer tentativa de saída ou escape da moldura, focalizando novamente o logocentrismo humanista do modernismo (Sullivan 1995: 261).


A concepção de uma organização interna no quadro naturaliza a estrutura em uma unidade estabelecendo diferenças e hierarquias entre os elementos, repetindo, dentro de uma ilusão de totalidade. Metonímia do social, a ordem plástica cria distancias e formula relações onde os componentes passam a depender uns dos outros, em termos de coresou não cores, disposição, volume ou forma, mas sempre estabelecendo essa relação, sem um não existe o outro. Nesse caso, me parece importante o conceito de totalidade ede interdependência, já que os elementos só adquirem sentido dentro dessa realidade estruturante.


As partes funcionam como signos, como os humanos dentro de um sistema social, onde as distinções criam o próprio espaço patriarcal, o masculino não diz só respeito ao econômico, também ao político, o que da sentido a existência de outros universos, outras unidades como a familia que se configura como uma “extensão sistemática de princípios de hierarquia”, “dominação”, “na ordem de uma evolução de estados como uma totalidade” (Ortner 1996: 53). O que tento colocar é que tanto o Paradigma da Arte Moderna como o Paradigma Social possuem uma constituição formal,dentro de uma mesma noção de estrutura.




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